segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Musicoterapia para fruição e como agente integrador e socializador.

Musicoterapia para fruição e como agente integrador e socializador.

SONS, RITMOS E CANTOS NO COMPASSO DA INCLUSÃO


    A Musicoterapia é um método de terapia que utiliza a música como uma ferramenta para auxiliar pessoas a lidar com desafios emocionais, físicos e mentais (Armas Torres, Maita Zegarra, & De la Calle Aramburu, 2017). Através do uso de técnicas musicais, tais como canto, tocar instrumentos, improvisação e composição, a Musicoterapia oferece a oportunidade para que as pessoas explorem seus sentimentos e emoções de uma forma criativa e curiosa (Benenzon, 1988). Isso pode aliviar o estresse, aumentar a autoestima, promover a inclusão social e desenvolver habilidades criativas, auditivas, motoras e outras importantes, além de melhorar a saúde geral (Fabbri, 2003; Ferreira & Rubio, 2012; Louro, 2006).

   É verdade que a maioria das pessoas associa a música com instrumentos musicais tradicionais, como violões, pianos e baterias, bem como com música eletrônica produzida com equipamentos eletrônicos. No entanto, a música pode ser criada a partir de uma ampla variedade de fontes sonoras, incluindo sons da natureza, objetos cotidianos e até mesmo sons corporais, como a voz ou batidas feitas com as mãos. A Musicoterapia, por sua vez, pode se utilizar desses recursos não convencionais e trabalhar com a organização dos sons de maneira criativa e inovadora, permitindo a descoberta de novas formas de expressão musical e trabalhando ao mesmo tempo com os benefícios terapêuticos.

    No dia 24 de outubro de 2022, os acadêmicos Marcos Thadeu, Cleilson Rezende, Wangley Richard e Isa Silva, do Curso de Licenciatura em Música da UnB, pela Universidade Aberta do Brasil - UAB, do Polo Rio Branco – Acre, levaram a proposta de musicoterapia para os alunos do programa Projeto Educacional do Centro de Ensino Especial Dom Bosco. A iniciativa consistiu na construção de instrumentos musicais não convencionais com material reciclável, como idiofones, membranofones e aerofones. Os alunos foram incentivados a explorar suas habilidades criativas e musicais através dessa atividade inovadora e engajadora. A construção de instrumentos com material reciclável também promoveu a consciência ambiental e a sustentabilidade. A musicoterapia é uma ferramenta valiosa para ajudar os alunos a lidarem com problemas emocionais, físicos e mentais, especialmente para os alunos do Centro de Ensino Especial Dom Bosco.

   É importante destacar que os instrumentos musicais convencionais são aqueles mais comumente associados à música, como flauta, bateria, violão, piano, guitarra, sanfona, entre outros. Esses instrumentos são geralmente fabricados em fábricas e vendidos em lojas especializadas. Já os instrumentos musicais não convencionais são aqueles que são feitos à mão, geralmente com materiais recicláveis ou produtos e objetos reaproveitáveis. Eles não seguem as normas e padrões estabelecidos para os instrumentos convencionais e são criados de forma autodidata, e isso pode proporcionar novas formas de expressão musical e inovação sonora, além de contribuir para o meio ambiente.

    É importante destacar que os alunos do Programa Educacional do Centro de Ensino Especial Dom Bosco são pessoas com deficiências, possuem laudos distintos e têm características, limitações e preferências pessoais que foram levadas em consideração ao se elaborar e realizar a sessão musicoterapêutica. O objetivo foi garantir a maior e melhor fruição dos participantes, adaptando a sessão de acordo com as necessidades individuais de cada um. Isso é uma prática comum na musicoterapia, onde se busca atender as necessidades específicas dos pacientes, garantindo assim a eficácia da terapia.

    A música pode ser uma ferramenta poderosa para ajudar as pessoas a lidar com problemas emocionais, físicos e mentais. Atividades musicais, como tocar instrumentos, cantar e dançar, podem ajudar a aliviar a tensão e a ansiedade, além de aumentar a sensação de bem-estar e alegria. A música também pode ajudar a desbloquear emoções e sentimentos internos, que podem estar reprimidos devido ao estresse ou falta de estímulo. A prática da música pode ser uma forma de desenvolver a criatividade e encontrar uma identidade musical própria, e isso pode ajudar a aumentar a auto-estima. A musicoterapia é uma ferramenta valiosa para ajudar as pessoas a alcançar esses benefícios, proporcionando uma forma de expressão e comunicação, além de contribuir para o bem-estar geral.

  Como um agente integrador e socializador para as pessoas com deficiência, a música pode ajudar a romper barreiras sociais e culturais, permitindo que as pessoas com deficiência sejam incluídas e participem ativamente na sociedade. Na prática da musicoterapia, é importante considerar as pessoas com deficiência como participantes ativos e não como meros espectadores. Isso significa dar-lhes a oportunidade de expressar-se através da música e oferecer-lhes a possibilidade de aprender e criar música, em vez de apenas ouvir ou assistir. A participação ativa na música pode ajudar a construir a auto-estima, aumentar a confiança e promover a inclusão social.

    É correto dizer que as pessoas com deficiência reagem às experiências musicais da mesma maneira que as pessoas sem deficiência. A música é uma forma de comunicação universal e pode ser compreendida e apreciada por todos, independentemente da capacidade física ou mental. A música tem o poder de amenizar e contornar problemas de expressão, comunicação, socialização, motora e outros, pois a dificuldade em uma área pode afetar outras áreas do desenvolvimento, pois estão todas interligadas. A musicoterapia pode ser utilizada como ferramenta para integrar todas essas áreas através da música, oferecendo experiências que estimulam a mente, o corpo e as emoções.


Objetivos:
  • Promover a inclusão social e a igualdade de oportunidades para as pessoas com deficiência.
  • Ajudar as pessoas com deficiência a lidar com problemas emocionais, físicos e mentais através da música.
  • Estimular a criatividade e a busca por uma identidade musical própria.
  • Aumentar a auto-estima e a confiança.
  • Promover a inclusão social e a igualdade de oportunidade

































EI02TS01 Criar sons com materiais, objetos e instrumentos musicais, para acompanhar diversos ritmos de música.

EF15AR04 Experimentar diferentes formas de expressão artística (desenho, pintura, colagem, quadrinhos, dobradura, escultura, modelagem, instalação, vídeo, fotografia etc.), fazendo uso sustentável de materiais, instrumentos, recursos e técnicas convencionais e não convencionais.

EF15AR17 Experimentar improvisações, composições e sonorização de histórias, entre outros, utilizando vozes, sons corporais e/ou instrumentos musicais convencionais ou não convencionais, de modo individual, coletivo e colaborativo. 

Idiofones - instrumentos em que o próprio corpo do instrumento produz o som. Ex.: pratos, chocalho, ganzá, reco-reco, triângulo, carrilhão, xilofone, dentre outros.

Membranofones - instrumentos que produzem sons pela vibração de suas membranas, batendo nelas com as mãos ou com baquetas.

Aerofones - instrumentos em que o som é produzido pela vibração de uma coluna de ar.


Referências: 

BENENZON, Rolando O. , Manual da musicoterapia. Rio de Janeiro: Enelivros, 1985.
BENENZON, Rolando O. Teoria da musicoterapia. Grupo Editorial Summus, 1988.
ARMAS TORRES, Segundo; MAITA ZEGARRA, Rosa Bertha; DE LA CALLE ARAMBURU, Luis. Manual de Musicoterapia aplicado a la salud, educación y desarrollo personal. 2017.
BENENZON, Rolando O. , Teoria da musicoterapia: contribuição ao conhecimento do contexto não-verbal. Tradução Sheila M. de Unicoecha. São Paulo: Summus, 1988.
WEBER, Augusto. Os 5 elementos da música clássica , Musicoterapia dos 5 elementos.São Paulo: Andreoli, 2010.
MADUREIRA, J. R. O Ritmo, a Música e a Educação. Pro-Posições, Campinas, SP, v. 18, n. 1, p. 269–273, 2016. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/proposic/article/view/8643581.
FABBRI, Tânia Roballo. A visão da psicomotricidade na educação musical. 2003. Rio de Janeiro, 2003.
FERREIRA, Lúcia Aparecida e RUBIO, Juliana de Alcântara Silveira. A contribuição da Música no desenvolvimento da psicomotricidade. Revista Eletrônica Saberes da educação – Volume 3 – n°1 – 2012.
FONTERRADA, Marisa Trench de Oliveira. De tramas e fios: um ensaio sobre música e educação São Paulo: Editora UNESP, 2005.
LOURO, Viviane dos Santos. Educação Musical e Deficiência. Propostas Pedagógicas. São José dos Campos, 2006.
MANTOVANI, Michelle. O movimento corporal na educação musical. Influência de Émile Jacques Dalcroze. São Paulo, 2009.
MONTEIRO, Gizele de Assis. Ritmo e Movimento Teoria e Prática. São Paulo, 2013. 5°edição. MOREIRA, Ana Lúcia Iara Gaborim. “Método Dalcroze: Educação musical para o corpo e a mente”. São Paulo, 2003.
REZENDE, Elcio Naves; TAVARES, Helenice Maria; SANTOS, Marilane. Psicomotricidade e Educação Musical: Pontos de Interseção . Uberlândia, 2011.
JAQUES-DALCROZE, Émile. Le rythme, la musique el l'éducation. Paris: Faetisch 1558, 1965.
Armas Torres, S., Maita Zegarra, R. B., & De la Calle Aramburu, L. (2017). Manual de Musicoterapia aplicado a la salud, educación y desarrollo personal. Benenzon, R. O. (1988). Teoria da musicoterapia: contribuição ao conhecimento do contexto não-verbal. São Paulo: Summus. Fabbri, T. R. (2003). A visão da psicomotricidade na educação musical. Rio de Janeiro. Ferreira, L. A., & Rubio, J. A. S. (2012). A contribuição da Música no desenvolvimento da psicomotricidade. Revista Eletrônica Saberes da educação, 3(1). Louro, V. dos S. (2006). Educação Musical e Deficiência. Propostas Pedagógicas. São José dos Campos.



Direção: Marcos Thadeu
Texto: Marcos Thadeu
Revisão: Silvia Rejane e Cleilson Rezende
Direção Musical:  Marcos Thadeu e Cleilson Rezende
Acompanhamento pedagógico: Wangley Richard e Isa Silva



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